sábado, 16 de agosto de 2014

Manuscritos da Torah
Se eu lhe perguntasse: "Qual é a sua idade?" você iria me mostrar sua idade, dizer quantos anos você tem... Porém eu te falaria: "Me prove!" você cuidadosamente pegaria sua Certidão de Nascimento, ou Rg, ou CNH (o que for) e me mostraria afirmando que essa é a evidência. Eu diria "Ah legal você acredita num pedaço de papel", porque sua Certidão de Nascimento, Rg ou CNH nada mais é que um pedaço de papel e você está dizendo que toda a evidência que você tem sobre a sua idade é um pedaço de papel. Mas você diz angustiado: "Pera aí, tem meu pai, minha mãe, minha família...", e eu afirmaria: "pior ainda, agora você acredita em testemunhas também, rsrs"

Ou seja, você acredita em pedaço de papel, em testemunhas...

E eu fico pensando, porque será que as pessoas tem tanta dificuldade em crer na Bíblia, sendo que ela também é pedaço de papel e foi escrito por testemunhas? 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

video


Video que fiz para um desafio feito no facebook. Esta visão, creio que seja de muitas pessoas também. 
Oxalá vamos todos melhorar. 
Com Deus Yahweh sempre!

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Histórias de Um Peruano Paraguaio

Criança de Cuzco (Peru) tocando uma Zampoña Chuli
À mais ou menos 16 anos atrás, chegava uma notícia em Itaju de que um grupo peruano de musica, com nome de Kerygma, estaria se apresentando nas igrejas das cidades da região. Num certo dia, o tal grupo faria uma apresentação na Igreja Batista de Ibitinga(SP), então meu pai, sem pensar muito, resolveu ir para conhecer essas musicas estranhas, as quais nunca tinha visto de perto. Ele decidiu, também, me levar com a minha mãe e meus avós paternos. Chegando lá, conseguimos nos acomodar nas fileiras de bancos ao meio do templo. A igreja estava passando por reformas e o culto demorou um pouco para começar. Mas enfim, começou. O Pastor Antenor iniciou e já foi apresentando o grupo peruano, lembro como se fosse ontem. Eles começaram a tocar a primeira musica (que era Salmo 8) e eu, criança que ainda era, fiquei de pé em cima do bando e me prendi na melodia, nos instrumentos e no modo de tocar de uma tal forma que foi inexplicavelmente impactante. Ao término do culto eu ainda estava extasiado. Meu pai comprou todos os produtos que haviam para serem vendidos no pátio da igreja (dentre eles: Fitas, Cds e Broches). Ao chegar em casa, na mesma noite, peguei o único aparelho de radio velho que eu tinha, que só funcionava fitas, coloquei todas elas que meu pai tinha comprado e dormi escutando-as de uma forma que não conseguia parar de ouvi-las no outro dia e no outro dia e até hoje com 19 anos de idade não consigo parar de ouvir as mesmas musicas. Constantemente eu ouvia as musicas peruana no radinho e já que não tínhamos fone de ouvido eu sempre o colocava perto do ouvido pra poder ouvir exatamente como era todos os sons de todos os instrumentos. Nesse tempo, ganhei uma gaita do meu avô que eu a pegava e incessantemente escutava as musicas peruanas e tentava imitá-las em todos os sons possíveis.
Parte do grupo Kerygma em Itaju
(Jorge primeiro à esquerda) 
Creio que na mesma época do parágrafo anterior, o pastor Antenor levou o grupo de Kerygma até a minha cidade (já que o grupo iria se apresentar em toda a região) para se apresentar numa fazenda, na qual houve um almoço. Fiquei o dia todo entusiasmado com isso e gostei demais de passar aquele momento novamente, porém mais pertinho junto a eles, em Itaju(SP).
Por volta do ano de 2002, meu pai começou a fazer o seminário teológico básico de Ibitinga. Quando ele estava lá, soube que um dos integrantes, do tal grupo Kerygma, havia ficado no Brasil e estava dando aula de uma matéria para ele. Logo que ele soube disso, foi logo conversar com esse tal integrante, o famoso Pastor Jorge Peruano. Papo vai e papo vem, meu pai lhe contou que eu gostei e gosto muito da musica peruana e perguntou-lhe se ele não tinha algum instrumento típico para vender. Para surpresa o Jorge tinha 3 instrumentos. Meu pai já foi logo comprando.
Logo que voltou de mais um dia de aula do seminário, meu pai colocou esses 3 instrumentos em cima de um sofá da sala para que quando eu chegasse em casa (pois estava brincando na casa de um amigo) tivesse uma agradável surpresa. Foi isso que aconteceu. Já que cheguei em casa me deparei com aquelas três preciosidades na minha frente; fui logo –chorando e soluçando de alegria – colocando em minhas mãos e tentando tirar algum som. Não saiu nada de primeiro, mas com o tempo fui pegando o jeito. Nesse dia eu não consegui dizer nem um “obrigado” ao meu pai, pois apenas ficava olhando, chorando e sem reação para a zampoña zanka, quena e quenacho.
Num meio tempo, certa noite, o pastor Jorge foi convidado a pregar em Itaju. Eu ainda era pequeno. Lembro-me que ele trouxe alguns instrumentos e tocou várias musicas junto a um playback. Ao ouvir e vê-lo tocando eu não conseguia ficar sentado no banco, eu ficava de pé e paralisado. Nesse dia, eu fiquei com tanta vergonha dele que antes e depois do culto eu parava nas paredes e ficava olhando de “canto de olho” para ele.
Depois desse dia não parei mais. Comecei a, verdadeiramente, aprender a tocar os instrumentos que tinha ganhado e logo em seguida a tocá-los nas ministrações de louvor com a permissão do meu pai (líder do louvor) e de minha avó (pastora local).
Passado vários anos – agora eu estava adolescente – Jorge foi convidado novamente para pregar em Itaju. Como agora eu já tinha conseguido aprender a tocar os instrumentos (que havia ganhado quando criança), então meu pai perguntou-lhe se nós não podíamos tocar juntos, pelo menos, duas musicas peruanas no culto. Jorge aceitou. Foi meu primeiro contato com o ex-integrante do Kerygma. Fizemos um mini ensaio antes do culto e ao desenrolar da noite tocamos razoavelmente bem.
Aos passar dos anos, meu pai terminou o seminário e depois de algum tempo ele foi nomeado Pastor pela Igreja Batista Nacional (isso foi a 3 anos atrás). Na noite de consagração e ordenação eu decidi fazer uma homenagem para o meu pai, porém uma homenagem diferente e que surpreendesse a todos. A primeira pessoa com quem conversei – sobre a minha ideia – foi com o Pastor Jorge peruano. A ideia era a seguinte: tocar duas musicas peruanas com os instrumentos típicos. O Jorge só seria meu acompanhante musical. Enfim tocamos, e no final do culto o peruano levantou a hipótese de formarmos um grupo de musica andina. Meus olhos se encheram de alegria – eu não podia dizer não – sem hesitar eu concordei e travei uma batalha em minha vida para conseguir comprar o instrumentos que faltavam para compor o grupo.
Demorou tempo, mas conseguimos a dois anos atrás. Foi uma surpresa na verdade. Na terceira vez que Jorge foi convidado a pregar em Itaju, me foi passado que iriamos conversar, ao certo, como faríamos para comprar os tais instrumentos, quantos seriam, quais os tipos, os preços, etc. Porém quando eu estava tocando no culto, no momento do louvor (curiosamente eu estava tocando um instrumento que ganhei quando era criança e a musica era uma tradução para o português do salmo 8) a minha família, meu melhor amigo e o glorioso Pastor Jorge peruano entraram pelo meio da igreja trazendo todos os instrumentos que eu iria comprar, ou seja, meu pai já havia comprado e decidiram fazer essa surpresa para mim no meio do culto, pois, curiosamente, era a semana do meu aniversário.
Todos os meus intrumentos
Só faltava um instrumento para podermos começar de fato o nosso grupo de musica andina: o Charango. O Jorge se comprometeu a compra-lo. Por muito tempo ele não conseguiu, até que num certo dia meu pai ganhou um bônus da prefeitura por ser funcionário publico e então decidiu aplicar todo esse dinheiro na compra e importação do charango do Peru. Deu tudo certo, com o grupo formado tocamos duas vezes em Itaju e uma vez em Bariri e em Ibitinga. Com isso fui convidado por duas pessoas diferentes para gravar musicas andinas em estúdio, porém até hoje não gravei nada ainda.
Pastor Jorge e eu tocando junto ao grupo
Com o grupo formado, sempre tivemos dificuldades na composição, pois nenhum (ou quase nenhum) brasileiro sabe tocar e/ou aprecia a musica peruana, a musica andina. Isso vem me desanimando muito a cada dia que passa. Outra coisa que vem me entristecendo muito é a distancia e a agenda que eu e o Jorge temos, nisso nós não conseguimos tempo para nos encontrar e principalmente para tocarmos por aí.
Pensei e penso, diversas vezes atualmente, em largar tudo e toda essa história. Mas a minha razão fala mais alto e sempre decido guardar tudo isso pra mim. Tenho fé que algum dia esse meu sonho, de ser musico da cultura peruana e andina, vai ser realizado mais cedo ou mais tarde. Enquanto isso, quanto a todos os instrumentos (que meu pai batalhou tanto para comprar, fazendo “bicos”, trabalhando horas a mais e deixando de fazer tantas coisas para adquiri-los), vou deixar todos eles, empoeirados, guardados nas suas caixas e principalmente guardados no meu coração, pois tenho consciência que Deus não me fez passar por toda essa história sem nenhum propósito. Ele tem e quer algo de mim nessa área, tenho certeza disso.

Obrigado Senhor por essa historia em minha vida. Obrigado pelo meu pai que sempre fez o impossível para mim. Obrigado pela minha família e pelos meus melhores amigos que sempre me apoiaram. E Deus, muito obrigado pelo Senhor ter enviado o Pastor Jorge Luis Torres Cuicapusa para o Brasil, pois sem ele eu não teria levado adiante o meu gosto pela musica andina.